
Um homem de 37 anos morreu em Minneapolis, nos Estados Unidos, após ser baleado por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). O incidente ocorreu no sábado (24), em meio a manifestações contra atividades federais de imigração no estado de Minnesota. Segundo autoridades locais, a vítima era residente da cidade e teria cidadania norte-americana.
O governador de Minnesota, Tim Walz, descreveu o episódio como "atroz" e exigiu do governo federal a interrupção das operações no estado.
"Minnesota não aguenta mais. Isso é repugnante", declarou o governador em suas redes sociais.
De acordo com o Departamento de Segurança Interna dos EUA, o homem estava armado com uma pistola semiautomática e teria reagido violentamente durante uma "operação direcionada" para localizar um imigrante irregular, o que levou um agente a atirar em defesa própria.
Imagens não verificadas circulando online mostram agentes com coletes da "Polícia" imobilizando uma pessoa antes dos disparos. O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, relatou que a ocorrência foi notificada à polícia por volta das 9h, confirmando que a vítima parecia ter porte legal de arma segundo as leis locais.
O clima em Minneapolis está tenso desde o início de janeiro, após outra operação do ICE levar à morte de Renee Good, também de 37 anos, provocando manifestações e investigações. As ações federais foram fortemente criticadas por autoridades democratas e pelo prefeito Jacob Frey.
O presidente Donald Trump, nas redes sociais, culpou policiais locais pelo evento, elogiou os agentes do ICE e acusou líderes de Minnesota de fomentar uma "insurreição".
Volker Türk, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, pediu uma investigação sobre possíveis violações em políticas migratórias sob a administração de Donald Trump. Türk argumentou que práticas recentes resultam em "abusos rotineiros" e destacam ocorrências em locais sensíveis como hospitais e escolas.
"Indivíduos estão sendo vigiados e detidos, às vezes de forma violenta, frequentemente apenas sob a mera suspeita de serem migrantes indocumentados", afirmou Türk.
Um caso específico mencionado envolve a detenção de uma criança de cinco anos e seu pai por agentes federais, no dia 20, em Minneapolis. Ambos foram levados para um centro de detenção no Texas, situação tratada por Türk como preocupante devido à possível separação familiar.
Preocupações sobre o uso desproporcional de força nas operações do ICE foram levantadas pela ONU, que lembra que a força letal só deve ser usada em casos de ameaça iminente à vida. Nos últimos meses, as ações do ICE intensificaram-se federalmente, com milhares envolvidos em grandes cidades.
A falta de assistência jurídica para detidos é uma crítica adicional. A ONU destaca a ausência de avaliações individualizadas, expondo crianças a riscos severos, e pediu investigações sobre mortes sob custódia do ICE, com pelo menos 30 casos relatados em 2025 e seis este ano.
"Os Estados Unidos devem seguir o direito internacional em suas políticas migratórias", concluiu Türk, solicitando que práticas que violem direitos e corroem a confiança pública sejam interrompidas.